"A todos os visitantes de passagem por esse meu mundo em preto e branco lhes desejo um bom entretenimento, seja através de textos com alto teor poético, através das fotos de musas que emprestam suas belezas para compor esse espaço ou das notas da canção fascinante de Edith Piaf... Que nem vejam passar o tempo e que voltem nem que seja por um momento!"


31.5.11


Do tempo

Tenho saudades tuas.
Do tempo em que éramos dois mas éramos um só. Do tempo em que o primeiro telefonema do dia era para ti. Do tempo em que éramos um do outro e gostávamos disso. Do tempo em que os dias passavam devagar mas não importava porque à noite estávamos juntos. Do tempo em que os teus pés gelados procuravam os meus debaixo dos lençóis. Do tempo em que falávamos com o olhar. Do tempo em que o teu toque me arrepiava. Do tempo em que os teus abraços eram remédio para tudo. Do tempo em que o silêncio não era uma arma. Do tempo em que as discussões eram pretexto para nos amarmos. Do tempo em que me sentia amado. Do tempo em que me fazias feliz e eu a ti. Do tempo em que éramos felizes mas não sabíamos.
Tenho saudades nossas.

Pedro Rapoula

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29.5.11


De fios e sonhos

Jazem ainda
nas paredes abandonadas
doces lembranças de outrora.
Arrastadas pelo tempo
as cores se foram.
A brisa e a luz teimosas
insistem num último suspiro.
Desfiam sonhos de passado.

Naquele mundo eu fui feliz.

De partida, ainda perdida,
sentindo a brisa e a luz,
fio sonhos de futuro.

Clau Assi

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28.5.11



Ausencia

Habré de levantar la vasta vida
que aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
¿En qué hondonada esconderé mi alma
para que no vea tu ausencia
que como un sol terrible, sin ocaso,
brilla definitiva y despiadada?
Tu ausencia me rodea
como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde.

Jorge Luis Borges

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

27.5.11



vigilia

já faz algum tempo
o sol dos seus olhos
foi embaciado
pelo nevoeiro

não vai à varanda
não abre as cortinas
e nem cantarola
na hora do banho

preciso ajudá-la
conversar um pouco
ela se esquiva
sua dor encolhe-a

permaneço alerta
sinto-me impotente
porém passarinhos
também trocam penas

sofrimentos passam
fecham-se feridas
e as cicatrizes
são apenas marcas

então calo o bico
fico na reserva
e daqui de fora
monto sentinela

líria porto

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

26.5.11


há várias maneiras de começar o dia
quando acordo fumo um cigarro

coso silêncios à pele
num quarto inteiro de palavras vazias
que se repetem como rituais

durante semanas ensaiei regressos
apesar das paredes vazias
não deixo de fingir que não estou só

Maria Sousa

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

25.5.11



Do medo...

Tremi… senti-me desmoronar…
Caí abaixo do futuro que julgava certo…
A natureza segue seu curso… impassível!
Mas a morte rondava perto.
Tremi… senti-me traída pela vida escrita
Em papel de rascunho, sobras de sonhos
Sem tempo de serem sonhados!
Porque a morte rondava perto.

Raiva em aberto… este meu ruir …
Este meu sentir me eleva a ti, decerto!

BlueShell

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24.5.11


Era uma vez, mas eu me lembro como se fosse agora. Eu queria ser trapezista, minha paixão era o trapézio. Me atirava do alto na certeza de que alguém segurava minhas mãos, não me deixando cair. Era lindo mas eu morria de medo. Tinha medo de tudo quase: cinema, parque de diversão, de circo, ciganos... Aquela gente encantada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo: do que não ficava pra sempre.

Antônio Bivar

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21.5.11



Quantas vezes...

Quantas vezes caminhei pela praia
à espera que viesses. Luas
inteiras. Praias de cinza invadidas
pelo vento. Quantas estações quantas noites
indormidas. Embranqueceram-me
os cabelos. E só hoje
quando exausto me deitei em mim reparei
que sempre estiveste a meu lado. Na cal frágil
dos meus ossos. Nas hastes do mar
infiltradas no sangue. Na película
dos meus olhos quase cegos.

Casimiro de Brito

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

18.5.11


Vens de noite no sonho

Vens de noite no sonho
sem pés
entre páginas
de gasta paciência
quando a música findou
e teu sorriso se desfez
como um grão de pólen.

Vens no veneno oculto
de meus dias
no silêncio
dos meus ossos
devagar
arrastando em queda
o nosso mundo.

Vens no espectro
da angústia
na escrita
inquieta
destes versos
no luto maternal
que me devolve a ti.

A escuridão desce então
sobre o meu corpo
quando o rosto da morte
adormece na almofada.

Ana Marques Gastão

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

17.5.11


Escolhas

Vida, dilacerada vida,
onde foi que nos perdemos?
Não sei quando
começamos a caminhar em direções opostas.
Ventania que me leva
pra morte dos sonhos
Vida, que momento houve a divisão
entre eu e você?
Que eu me perdi...
Estou em um abismo
Entre duas escolhas
A morte e a vida.
Pra morrer,
basta que eu continue inerte.
Pra viver
Eis que eu tenho que ter força
Vontade, desejos, sonhos
Eis que eu tenho que me reerguer
e começar tudo de novo.

Começar tudo de novo
Eis a minha escolha.

Dafne Stamato

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

16.5.11


Solidão

(...) Do outro lado da porta era Inverno. O corredor não tinha fim. À luz dos candeeiros eléctricos, entre as paredes silenciosas e o tapete macio, não ouvia os seus passos. Com os olhos a arder, o ventre ainda a formigar, avançava em silêncio, detestando os seus braços nus. A pega do saco feria-lhe o ombro. Sentia os cantos da boca a repuxar e toda a sua pele queimar como na tarde de um dia de sol. Ele já não queria nada daquilo, tinha-lo restituído. Premiu o botão e o elevador chegou antes de ela acabar de contar as portas, lançando um último olhar para o corredor deserto.

Raphaele Billetdoux

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15.5.11


saudade insana de meu par. aquele, ímpar, que somado a minha unidade, nos torna múltiplos (a dois). saudade daquele um, meu inteiro. eu, igualmente única, total-mente dele. totus corpus. totallma. saudade exacerbada de meu duplo. meu par e ser. eu, una, junto dele, dobro. não sobro. nem (p)resto. saudade trans-par-ente. patente. poeticamente cálida. saudade descorada como corola de flor que não fala. simplesmente exila. exala saudade áspera que despetala. desespera. saudade que ecoa. não cala. não cabe na cela de espera.

valéria tarelho

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14.5.11


O verde deixou de ser esperança

Ando pela casa. Sozinha. Vazia. Assim como eu. Cada coisa está no seu devido lugar. Mas existem falhas. Faltas. Faltam coisas. Faltam os teus tênis espalhados pela casa, falta a tua t-shirt suada jogada na minha colcha novinha. Falta, também, o barulho, a zoada da televisão e o tec-tec irritante do ventilador. E são tantas as coisas em falta. E é o mais importante que faz a casa parecer grande, solitária, sozinha, vazia. Tu. Por onde andas? O que fazes? Quando voltas? Será que voltas? Levaste o calor e o aconchego. As cores perderam o brilho. O laranja, o amarelo, o vermelho e o verde, tornaram-se cinzas. A nossa casa transformou-se num mar de preto e branco. As cores já mais não fazem diferença. O laranja perdeu o calor de outrora, o amarelo deixou de brilhar, o vermelho deixou de irradiar paixão e o verde... ai o verde... o verde deixou de ser esperança.

Ísis Rezende Costa de Lima

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13.5.11


Soluços

O meu céu não anda cor-de-rosa.
Nem estrelas existem nele mais.
Tem neblina encobrindo a madrugada
tem insônia me tirando a paz.
No meu relógio, as horas já não passam
e de cada minuto passado sou refém
o meu canto está vazio e apagado
no meu peito a saudade vaivém.
A tristeza e o tédio se misturam
as lembranças têm cheiro de menta e muita dor
os soluços da alma fazem de mim um fervedouro
o chão abriu-se e engoliu meus pés
as lágrimas ficaram mais salgadas
e, inesperadamente, surfam em meu convés.
Dentro dos nós presos na garganta,
o coração palpita com a força de um furacão
e a dor urra em decibéis de um trovão
é o preço a se pagar por um amor ido e não tem remédio.
É a vida acontecendo sem que entendamos a sua razão.

Rosa Berg

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11.5.11



Em toda a casa
pelas paredes ainda cheira à tua pele cutânea.

Mas desde que te foste estar aqui é oco,
cansativo, uma espera. E às vezes (como se
tivéssemos chorado) respirar custa.

Sobretudo nada apetece.
Sair para a rua? Ir então em frente a repetir
os passos, passear nas avenidas a espaçar as
horas - dispersar a espera?

Tudo cinzento. Choverá?
Aqui é que não fico. No quarto onde dormimos
o espaço sobra, e cada coisa já morreu ou está
a mais.

Em toda a casa uma violência subterrânea:
a tua ausência.

João Habitualmente

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10.5.11


Nada quer dizer nada

Abri uma carta antiga e reli-a.
Tinham perdido sentido as palavras
e as frases. Em que língua
me tinham falado? E eu entendera,
mas agora fora-se o entendimento.
Quem, se eu lesse em voz alta os sons
incompreensíveis, se voltaria para mim
e atentamente teria a paciência
de me elucidar? Reconquistaria desse modo
muitas das coisas que um dia possuíra
e depois perdera. Em que língua
exprimira a confusão e o caos
que me habitavam? Ou, mais
rigorosamente: com que língua
tentara vencer a insignificância
do mundo e da minha existência?
Nada quer dizer nada, as palavras
pesam como pedras, escondem-se nelas
o sentido e a paixão. Mas quem
pode ainda suportar a recordação
do tempo em que falar era uma parte
importante da existência, o indício
de que pertencíamos e nos reconheciam?
O meu corpo tomava consciência dos seus limites
e do que o distinguia das paredes, da mesa
e dos livros que me cercavam. O sono
começou a descer sobre mim, diminuiu
a minha capacidade de suportar a luz.
Confundia-me, enfim, com as quentes
trevas da noite? Quis manter
os olhos abertos e eles iam-se fechando.
Entendi então que uma vez mais chegara a hora
de renunciar. Na rua ouvi o jornal cair,
lançado de um carro para a porta de casa.
Levantei-me e fui buscá-lo. Podia
enfim terminar o dia, adiar a tentativa
de redução ao silêncio da minha vida.
Que ninguém dê pela minha presença,
que me esqueçam aqueles que um dia
prometi amar. Para que eu possa,
sem remorso, continuar a viver.

João Camilo

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9.5.11


Tu lutas contra esta figura que dentro de ti te impele; tu queres fugir de ti proprio, queres separar-te de ti mesmo, e não podes. Só consegues, à custa de esforços desesperados, manteres-te dentro da formula ou da mascara que escolhes-te, e arredar o ciúme e a loucura, e fingir sorrir.

Raul Brandão

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8.5.11



Quando alguém parte, tem de deitar
ao mar o chapéu com as conchas
apanhadas ao longo do Verão,
e ir-se com o cabelo ao vento,
tem de lançar ao mar
a mesa que pôs para o seu amor,
tem de deitar ao mar
o resto de vinho que ficou no copo,
tem de dar o seu pão aos peixes
e misturar no mar uma gota de sangue,
tem de espetar bem a faca nas ondas
e afundar o sapato,
coração, âncora e cruz,
e ir-se com o cabelo ao vento!
Depois, regressará, quando?
Não perguntes.

Ingeborg Bachmann

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7.5.11



Filha

Filha, se em algum momento,
enquanto estás ocupada a crescer
- dura e lícita tarefa –
puderes olhar-me nos olhos, fá-lo.

Não deixes as perguntas
para quando for a mesma voz
a perguntar e a responder.

Olha que nesta família
temos o doloroso costume
de conhecer-nos melhor em mortos.

Ana Pérez Cañamares

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6.5.11


Retrato

A pele era o que de mais solitário havia no seu corpo.
Há quem, tendo-a metida
num cofre até às mais fundas raízes,
simule não ter pele, quando
de facto ela não está
senão um pouco atrasada em relação ao coração.
Com ele porém não era assim.
A pele ia imitando o céu como podia.
Pequena, solitária, era uma pele metida
consigo mesma e que servia
de poço, onde além de água ele procurara protecção.

Luís Miguel Nava

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5.5.11


Há um toque de fogo

Há um toque de fogo na tua boca. Um veludo que te roça com minúcia pelo rosto, que te aquece e eriça a pele num desassossego dissoluto. Estás ao alcance da noite, onde fluem sôfregos os deleites, onde refulge o orvalho no teu rasto de luz. Lá fora bruxuleiam sombras e escutam-se sons nocturnos. Tudo o resto adormece. E tu estás só. À janela. Estás só e o olhar, que era teu, há muito partiu na nostalgia de um passado sem futuro. Se ao menos palavras houvessem como líricas trovas de amor. Se ao menos bastasse o requebro da voz, qual preciosa renda envolvendo e ornando o teu mundo...

Jorge Dourado

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

4.5.11


Parada dentro de ti

estou parada dentro de ti
parada e desfalecida
porque o ar me foi roubado
pela tua boca
e o meu corpo permanece aprisionado
na memória das tuas mãos de nuvens claras
mãos que romperam os véus negros
que me escondiam de mim
e onde a paixão existia
adormecida

estou parada no movimento
perpétuo das marés
onde o mar do teu corpo
se desfaz nas areias escaldantes
do meu querer

estou parada nos céus
infinitos dos teus olhos
que me arrastam
para o abismo azulado
inolvidável
que se revela
na tua presença

mesmo que a ausência
me atormente
ficarei sempre parada
dentro de ti

MT-Teresa

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

3.5.11


Intimidades

aprendemos a linguagem do desejo
no soletrar dos corpos

entro pelo teu corpo
em busca de uma morte mais íntima
(assim te arranco do tempo)

ahcravo

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2.5.11


... sonho com uma velhice silenciosa e melancólica, a mão esquecida sobre a cabeça de um cão. o olhar preso ao cíclico fascínio das águas e dos jardins. sonho com uma velhice onde a solidão não doa. solidão superpovoada de amigos, de silhuetas andróginas para o amor, de rostos belos como sensações de sorrisos, de mãos que aprenderam a falar.

Al Berto

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

1.5.11



Quase-Nada

Suplicantes,
nuas,
duas mãos em prece
aguardando o milagre,
que acontece.
Uma coisa que não,
um quase-nada,
e os sonhos voltarão,
de madrugada...

Manuela Oracy

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
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