"A todos os visitantes de passagem por esse meu mundo em preto e branco lhes desejo um bom entretenimento, seja através de textos com alto teor poético, através das fotos de musas que emprestam suas belezas para compor esse espaço ou das notas da canção fascinante de Edith Piaf... Que nem vejam passar o tempo e que voltem nem que seja por um momento!"


31.12.11



Cadeira no Céu

Uma cadeira de braços. No céu. Ou a partir de onde eu imagine o céu. Com estrelas. Demasiadas. Um céu de inverno. Com improváveis estrelas. Frio. Uma cadeira de braços. E eu sentada nela. Tão intactos quanto possível. A cadeira. O céu. Uma intacta cadeira num intacto céu de inverno com estrelas de intacto brilho. Improváveis. E eu. Provavelmente desfragmentada. A esquizofrenia de que (ainda) não padeço porque a reconheço quando chega. Talvez já esteja nos braços da cadeira. À espera que eu me sente e tente. Reunir fragmentos do que sou e serei. E do que fui. Se. Um dia tiver uma cadeira de braços. Intacta num intacto céu de improváveis estrelas de brilho intacto. Acho que serei. Uma velha mulher. Apenas sentada numa cadeira. De braços. No céu.

Elisa

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30.12.11



Saudade, saudade

Passam-se os dias,
os meses e os anos,
mas você fica
Na palidez das paredes,
no rubor das ausências
e no silêncio do criado mudo...
Tão perto que nem lhe vejo,
tão distante,
que posso tocá-la

Marcelo Roque

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29.12.11



Seria agradável estar bêbeda:
infiel à minha língua e mãos,
desistindo de limites
pelo heróico gin.
Bêbeda de morte
é a expressão em que estou a pensar,
insensata,
nem fria nem quente,
Sem cabeça ou pé.
Estar bêbeda é ser íntima de um louco
vou tentá-lo brevemente.

Anne Sexton

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

28.12.11



Claro Obscuro

Do outro lado
há uma mulher de costas
Distante
muito perto
desdobrada.
Não sei o que fazer
para lhe falar
das trevas que ela colhe à sua volta
Vive escondida em mim
essa mulher de costas
cujo outro rosto meu
não posso ver

Há deste lado
uma luz de fim-do-mundo
Princípio
desde sempre
para mim
E a palavra luarenta que ela solta
causa vulcões que não entendo
à minha volta
Vivo escondida nela
também estou de costas
meu outro rosto seu
não pode ver

Fata Morgana

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27.12.11



Só, silêncio e solidão, sempre
Só,
só,
só,
só, sempre,
solidão, sempre, só,
só,
só,
só,
tão só, eu sempre,
silêncio e solidão, sempre,
só sempre,
eu tão só.

Alma Kodiak

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26.12.11



Dá-me algo mais que silêncio ou doçura
Algo que tenhas e não saibas
Não quero dádivas raras
Dá-me uma pedra.

Não fiques imóvel fitando-me
como se quisesses dizer
que há muitas coisas mudas
ocultas no que se diz.

Dá-me algo lento e fino
como uma faca nas costas
E se nada tens para dar-me
dá-me tudo o que te falta!

Carlos Edmundo de Ory

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25.12.11



Mais um dia
tão igual e tão diverso
um início de esperança.
Restos de canções de outrora
estão nos barulhos da casa
e um sorriso novo
talvez…
Um aroma conhecido
sai dos cantos das paredes
entra em círculos na memória.
Passam as horas
plenas de rara doçura
no frio há uma gruta quente
um abrigo
neste dia tão igual
e em tudo tão diferente.

Maria Laura

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24.12.11



Vermelho amargo

Dói. Dói muito. Dói pelo corpo inteiro. Principia nas unhas, passa pelos cabelos, contagia os ossos, penaliza a memória e se estende pela altura da pele. Nada fica sem dor. Também os olhos, que só armazenam as imagens do que já fora, doem. A dor vem de afastadas distâncias, sepultados tempos, inconvenientes lugares, inseguros futuros. Não se chora pelo amanhã.
Só se salga a carne morta.

Bartolomeu Campos de Queirós

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23.12.11



Absinto

Tenho sede
bebo tua ausência
sorvo este líquido
de gosto acentuado
mergulho neste torpor
inebriados pensamentos
eu e a fada verde
para matar esta sede
que agora sinto
simplesmente
absinto.

Géssica Hellmann

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22.12.11



Silêncio é uma palavra impossível.
Não corresponde a nenhuma realidade.
Não há silêncio no cosmos
nem em cada um de nós.
Numa sala sem eco,
entre paredes de cimento isolante,
ouve-se ecoar a circulação
do nosso próprio sangue.

António Barahona

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21.12.11



(In)certezas
Lembro-me de ter me deixado cair no sofá com o corpo entorpecido pelo medo. De ter fechado os olhos. De ter sentido frio. De ter desejado que as lágrimas lavassem as incertezas que riscavam minha alma. De não ter encontrado a fé no escuro. De não ter sentido os pés pela angústia de continuar seguindo. De sentir-me só. De sentir-me só e de ter doído.

Flávia Vida

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20.12.11



O Cavalo do Louco

Comprei um cavalo a um louco.
Tinha-o desenhado ele mesmo
e era de resto um cavalo perfeitamente vulgar
excepto os olhos que ficavam nas ventas.
Tinha-o feito assim
de propósito: para as pessoas estarem bem certas
da sua loucura
e comprarem melhor.
Eu comprei.
Pensei no cavalo: ele ficaria no pinhal
à tarde quando o sangue corre das orelhas do sol.

Pentti Saarikoski
(trad. de Egito Gonçalves)

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

19.12.11



Ventos do passado

É tua filha, não é? Reconheci-a
pela estrela fugaz que há nos seus olhos,
a cabeça inclinada e a maneira
tão tua, de fitar cheia de assombro.
É tua filha, não é? Intuíram-no
– de tão fundo! –
certos ventos calados que dormiam
sob as águas sossegadas, no poço
dos tempos perdidos, onde guardo
as folhas que tombaram
dos salgueiros remotos.
Ostenta luz na fronte
– a tua luz. – E o gesto melancólico.
O pescoço frágil como era o teu
e no cabelo os mesmos
pássaros loucos.
Guarda um vento do passado entre os dedos,
e no rosto…
a tua assinatura
escrita num sangue
que desconheço.

Torcuato Luca de Tena

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17.12.11



Fragmentos da Casa Vazia

Sinto muito, mas já não sinto nada.

Aguardo apenas o fim das novenas para abandonar o meu exílio que não me exijo perpetuar. Deixarei este nevoeiro cumprir os seus dias para que os meus passos possam cumprir o seu. Há muito que o aguardo, em silêncio, que esse caminho fique livre da geada, esse silêncio que já não conta, já não faz parte dos murmúrios que o teu chão traz.

Deixarei, deixarei cada objecto onde o encontrei, quando cheguei ao teu pouco passo adentro, deixarei o que não soube deixar intacto, ainda que conte devagar os dias que faltam para esse céu se enfeitar da chuva que me abençoará, não tenciono abandonar o meu silêncio neste nevoeiro que tinge estranhamente esta forma estranha de me abandonar.

Sinto muito,

Mas o pouco que resta de mim o pouco me prende a ti, e mesmo desse pouco já quase não resta nada. Entrei no jogo que apenas sei perder, entrei nessa bússola desorientada sem querer e já quase não resta nada.

Se perguntarem por mim, diz que fugi, que morri, que parti para outro lugar, outro corpo, outra terra inteira dentro de mim, e para e por mim, porque só assim sei que continuarei a viver…

Leonardo B.

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16.12.11



Coração a Coração

Enfim aqui estou de pé
Passei por ali
Alguém passa por lá agora
Como eu
Sem saber onde vai

Eu tremia
Ao fundo do quarto a parede era negra
Ele tremia também
Como pude eu transpor o limiar dessa porta

Poder-se-ia gritar
Ninguém ouve
Poder-se-ia chorar
Ninguém entende

Encontrei a tua sombra na obscuridade
Era mais doce do que tu

Antigamente
Estava triste a um canto
A morte trouxe-te essa tranquilidade
Mas tu falas ainda
Queria abandonar-te

Se entrasse ao menos um pouco de ar
Se o exterior nos deixasse ainda ver claro
Sufoca-se
O tecto pesa-me na cabeça e empurra-me
Onde vou eu meter-me para onde partir
Não tenho espaço que chegue para morrer
Onde vão os passo que se afastam e que escuto
Longe muito longe
Estamos sós a minha sombra e eu
A noite cai

Pierre Reverdy
(trad. Eugénio de Andrade)

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15.12.11



Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

Charles Chaplin

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14.12.11



Vim, como todo mundo
do quarto escuro da infância,
mundo de coisas e ânsias indecifráveis,
de só desejo e repulsa.
Cresci com a pressa de sempre.

Fui jovem, com a sede de todos,
em tempo de seco fascismo.
Por isso não tive pátria, só discos.
Amei, como todos pensam.
Troquei carícias cegas nos cinemas,
li todos os livros, acreditei
em quase tudo por ao menos um minuto,
provei do que pintou, adolesci.

Vi tudo que vi, entendi como pude.
Depois, como de direito,
endureci. Agora minha boca
não arde tanto de sede.
As minhas mãos é que coçam -
vontade de destilar
depressa, antes que esfrie,
esse caldo morno de vida.

Paulo Henriques Britto

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13.12.11



Teclado

Que música começa
nos teus dedos e sobe
pelas veias do verso
quando o sangue se move
só por dentro dos ossos
entre o som e o medo?

Donde emerge o remorso
de ferir o silêncio

e deixar que o desejo

a pairar se dissolva
num arpejo de dor
quando o verso já sobe
nas veias dos teus dedos
e a música começa?

José Augusto Seabra

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

11.12.11



Centenas de versos se enfileiraram
na soleira da porta.
Minha dor impede
que as palavras
quebrem o silêncio
dando significado às coisas.
O reino da solidão se instalou.
Estranha maneira de sobreviver a peste.

Leonor Cordeiro

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

10.12.11



Um óasis no momento

se vieres à minha procura
estou atrás do lugar que não existe
atrás do lugar que não existe há um lugar
atrás do lugar que não existe
são as veias do ar cheias de mensageiros
que trazem notícias da mais longínqua florida flor da terra
na face da areia estão traçadas as marcas do cavalo de um cavaleiro gracioso
que de manhã subiu ao cimo da montanha de Ascensão
atrás do lugar que não existe está aberto o leque dos desejos
tocam as campainhas de chuva para que a brisa sequiosa possa chegar ao cimo
de uma folha das campainhas de chuva que tocam
aqui o homem está só
e nesta solidão a sombra de um ulmeiro flui para a eternidade
se vieres à minha procura
vem devagar e suavemente para não quebrar a porcelana da minha solidão.

Sohrab Sepehry

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9.12.11



rabiscos

olho a folha branca
o marcar da vida minha
as suas linhas...
... rabisco a madrugada
e outras vidas
sozinhas...

Betha Mendes

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7.12.11



Terá o amor
de acabar em escuridão,
sem que vislumbremos
esse rasgão entre as nuvens
onde o luar enche o céu?

Ono No Komachi
(trad. Luísa Freire)

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

6.12.11



Calmamente ela desistia das pessoas.
E com o passar do tempo,
e quanto mais o sol nascia na sua janela,
mais calmante ela desistia.
Na impossibilidade de não amanhecer todos os dias,
mansamente ela vivia.
Aprendia todos os dias a suavemente desistir,
sabiamente desistir de tudo o que resiste,
ou deseja com fraqueza.
Por que ela acreditava que amor não se pede e então,
se tivesse que pedir, partia.

E ao longo dos dias que se sucediam,
ela ia ganhando o ar sereno daqueles
que sabem desistir em paz.
Aprendeu com o tempo a usar sua força
naquilo que valia a pena.
E se alguém por ventura quisesse ficar,
então ela amava.

Amava com a força daqueles que não desistem
nunca daquilo que quer ficar.

Andréa Beheregaray

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

5.12.11



A vida não é uma fotografia, em que preparamos as coisas para que fiquem bem e em seguida fixamos uma imagem para a posterioridade; é um processo sujo, desordenado, rápido, cheio de imprevistos. A única coisa certa é que tudo muda.

Isabel Allende

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

4.12.11



Virando a vida

Passei tanto tempo colecionando suas ausências que acabei juntando seus pontos, vírgulas e reticências ao meu enorme acervo de solidão.

Quando, porém, minha caixa de preciosidades ficou insuportavelmente cheia, joguei tudo fora: ele, minha dor e seus silêncios.

Resolvida a questão, recomecei do zero.

Mariza Lourenço

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

3.12.11



esse silêncio

naquela noite queria apenas sentir
já se cansara de viver anestesiada
não sentir mais dor
nada a despertava daquela catarse
nem espinhos, nem rosa
nem os pingos de chuva
que gotejavam pela vidraça da janela
nada mais a tocava, nada

queria sentir qualquer coisa
queria ser qualquer coisa
queria ouvir qualquer coisa
um barulho ao longe
uma música de amor
um sax do Chet
uma canção da Piaf
um tango de Gardel

ah, esse silêncio que maltrata
que a obriga escutar-se
a esconder-se
a desfiar as lembranças
e as dores
como as miçangas arrebentadas de um terço
que se alojam em um canto da gaveta
que ninguém abre mais...

Canto da Boca

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

2.12.11



Cais do tempo

É de tempo o cais
onde te espero
há quanto tempo?
Não sei!
há tantas vidas
que ficaram por aí
esmaecidas
esperanças que aninhei
dores que não quero...
é de tempo o cais
onde te aguardo
de tempo
duma espera sem final
dum tempo silente, sepulcral
sem laivos de anil
ou sol
um tempo pardo...
mas se acaso um dia
amor ausente
acostares a este cais
onde te espero
ó manhã de luz
resplandescente
será de transcendência
o que te quero!...

Maria Mamede

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

1.12.11



Caiu a máscara...

Não que ela usasse máscara
Na verdade, era mais uma pétala fina
Que encobria sua face
Face límpida
Olhos negros
Ela ficara nua diante seus sentimentos
A respiração agora era outra
O tom da voz também
E o corpo estava menos tenso
Acho que ela tirou a vida dos ombros...
E pôs de volta no coração.

Dafne Stamato

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
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