"A todos os visitantes de passagem por esse meu mundo em preto e branco lhes desejo um bom entretenimento, seja através de textos com alto teor poético, através das fotos de musas que emprestam suas belezas para compor esse espaço ou das notas da canção fascinante de Edith Piaf... Que nem vejam passar o tempo e que voltem nem que seja por um momento!"


19.10.09

De vez – prá sempre

Despeço-me mais uma vez.
Fecho às trancas da porta
que deixei ontem entreaberta.
Lanço as chaves às labaredas
do incêndio em que te incendeio.

Despeço-me mais uma vez.
Não olho para trás.
Não tenho nos ombros o pesar.
Já não sei os contornos do teu rosto,
já não sei o sabor do teu gosto,
não sei o teu nome.

Quem é você?

Despeço-me mais uma vez.
Despojo-me do ontem,
rasgo o calendário do amanhã e
deixo cair à ampulheta que faz
do tempo seu prisioneiro.
Liberto-o da sua condição temporal.
O tempo agora não tem mais fim
é temporalmente intemporal.

Despeço-me mais uma vez.
Fecho às trancas da porta
que deixei ontem entreaberta.
Do outro lado da porta
daquele em que eu não estou,
deixo caída no chão
a ampulheta do tempo.
Essa que agora te ofereço.

Erga o cálice do tempo
sorve-o lentamente,
deixa que as gotas temporais
te caiam na ponta da língua.
Sinta a volúpia dos segundos.
És agora Dono do Tempo.
Dono da solidão intemporal
com que o Tempo te envenena o sangue.

Despeço-me mais uma vez,
De vez – prá sempre...

Maria Flor

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