"A todos os visitantes de passagem por esse meu mundo em preto e branco lhes desejo um bom entretenimento, seja através de textos com alto teor poético, através das fotos de musas que emprestam suas belezas para compor esse espaço ou das notas da canção fascinante de Edith Piaf... Que nem vejam passar o tempo e que voltem nem que seja por um momento!"


15.9.09

Os olhos (sobre a memória e o tempo)

Quando morreu a sua amada
Pensou em envelhecer
Na sua casa encerrado,
Só, com a sua memória e o espelho
Onde ela se mirava um claro dia.
Como o ouro na arca do avarento,
Pensou que guardaria
Todo um passado no espelho claro,
E o tempo não correria já para ele.

Mas passado o primeiro aniversário,
Como eram? – perguntou – pardos ou negros
Os seus olhos? Esverdeados? Cinzentos?
Como eram, Santo Deus, que me não lembro?

Saiu à rua um dia
De primavera e passeou em silêncio
O seu duplo luto, de coração fechado...
Duma janela no sombrio vão viu uns olhos brilhar.
Baixou os seus e seguiu seu caminho.

Como esses!...

António Machado

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