Com as mãos
Com as mãos
construo
a saudade do teu corpo
onde havia
uma porta,
um jardim suspenso,
um rio,
um cavalo espantado à desfilada.
Com as mãos
descrevo o limiar,
os aromas subtis,
os largos estuários,
as crinas ardentes
fustigando-me o rosto,
a vertigem do apelo nocturno,
o susto.
Com as mãos procuro
(ainda) colher o tempo
de cada movimento
do teu corpo em seu voo.
E por fim destruo
todos os vestígios (com as mãos):
Brusca-
mente.
Eduíno de Jesus
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Descobri que tiro retrato com a memória, que um café com bolo quente num dia de sentimento chuvoso somados a um sorriso macio são pequenos momentos de glória, que meu peito guarda uma vitória silenciosa somente pelo fato de sentir uma brisa-abrigo em um abraço amigo, que trago recordações que me fazem carinho e, vez em quando as abro em meu cantinho secreto como quem abre uma caixinha de música.
Um anjo nu 
Hoje acordei com a dor das árvores;
Espelho
Misteriosa, inconstante, rebelde
Não é uma questão de viver do passado. A minha intenção não é resgatar isso ou aquilo. É lembrar. A lembrança serve justamente pra gente guardar dentro, um sentimento que de alguma forma nos tocou. Quando eu sinto saudade, nem sempre eu choro. Algumas vezes eu rio. Eu fecho os olhos. Eu me abraço em silêncio. Eu deixo que 'aquele sentir' tome conta. Que ele seja. E eu me deixo ser quando o assunto é saudade. Eu sou uma mulher que aprendeu a dançar a melodia do próprio coração.
Depois do banho
Mudei, mudei sim e mudei muito. Talvez alguns nem tenham percebido. Talvez outros sintam falta do que eu fui. Talvez outros achem um alívio terem se livrado de mim. Cada um teve de mim, o que julguei merecer. Errei nas dosagens, pequei por exageros. Nunca me deram um manual, passei a escrever o meu.
O tempo da rosa
Todas as noites, antes de se deitar, colocava-se em frente ao espelho e penteava-se com todo o cuidado. Queria aparecer bonita nos sonhos.
o anjo que tive abandonou o meu altar
Segredos
Para uso diário
O que dói
... Ando de um lado pra outro, dentro de mim, as mãos abandonadas, pronta pra inventar uma tragédia russa, pronta pra criar um motivo que me acorde... horrível. Estou tão vaga, tinha vontade de fazer um embrulho de mim, com papel de seda, lacinho de fita, e mandá-lo pra você. Aceita?