Usos repetidos
Olho
pelo vidro
da janela
o passar intermitente
da vida
Pausado
mas contínuo
o ritmo do ritual
avança incessante
em busca do amanhã
que depressa
será ontem
E pergunto
à sabida janela
o porquê
de tantos usos
repetidos
O vidro
não responde
com palavras
mas incha
e embacia de rotinas
que me respondem
Baixo a persiana
para esconder o óbvio
Francisco J. Picón
(trad. Albino M.)
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