19.12.14


Usos repetidos

Olho 
pelo vidro 
da janela 
o passar intermitente 
da vida

 Pausado
 mas contínuo 
o ritmo do ritual 
avança incessante 
em busca do amanhã 
que depressa 
será ontem

 E pergunto 
à sabida janela 
o porquê 
de tantos usos 
repetidos 

O vidro
 não responde
 com palavras 
mas incha 
e embacia de rotinas 
que me respondem

 Baixo a persiana 
para esconder o óbvio 

  Francisco J. Picón
(trad. Albino M.)

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