5.1.13


 Eu não voltarei. E a noite
morna, serena, calada,
adormecerá tudo, sob
sua lua solitária. 

Meu corpo estará ausente,
e pela janela alta
entrará a brisa fresca
a perguntar por minha alma. 

Ignoro se alguém me aguarda
de ausência tão prolongada,
ou beija a minha lembrança
entre carícias e lágrimas. 

Mas haverá estrelas, flores
e suspiros e esperanças,
e amor nas alamedas,
sob a sombra das ramagens. 

E tocará esse piano
como nesta noite plácida,
não havendo quem o escute,
a pensar, nesta varanda.

  Juan Ramón Jimenéz

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

2 comentários:

  1. Helena,

    Lindo como sempre.

    Beijinhos

    Ana

    ResponderExcluir
  2. Magnífico Poema de Juan Ramón Jiménez...Uno de mis autores favoritos.
    Um abraço.

    ResponderExcluir

"Há demonstrações de carinho que nos imensam!"
Manoel de Barros

Demonstre seu carinho...