6.10.12


    Velhas cartas de amor 

 Ah, queimá-las não pude... É que elas - quem diria? 
guardam murchas assim tua morta paixão 
- a febre de uma noite, as lágrimas de um dia - 
como o eco já sem voz de uma ultima canção. 

 Tuas cartas! - num tempo a que eu retornaria –
 fizeram palpitar de amor meu coração... 
Depois, veio o silêncio, a distância, a agonia, 
e o bálsamo do tempo - a cruel consolação! 

 Vivem nelas ainda um romance apagado, 
a luz da mocidade, o fogo de um passado, 
a gloria de uma vida aos vinte anos em flor... 

 Ontem, contava-as, sim - com um gesto indiferente... 
Mas sobre elas caiu uma lágrima ardente ... ... 
E não pude queimar tuas cartas de amor... 

  Hector Pedro Blomberg 

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Um comentário:

"Há demonstrações de carinho que nos imensam!"
Manoel de Barros

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