5.10.12


    Soneto - Rosa Divina

Rosa divina que em gentil cultura 
és, com a tua fragrante sutileza, 
magistério purpúreo da beleza, 
alva lição de excelsa formosura; 

 há em ti como que humana arquitetura, 
exemplo de uma ingênua e vã nobreza, 
em cujo ser fundiu a natureza 
o berço alegre e a triste sepultura. 

 Altiva em tua pompa presumida, 
soberba, a morte afrontas, não te inclinas, 
mas logo, desmaiada e emurchecida, 
 teu ser desfaz-se todo em tristes ruínas! 

E assim, com douta morte e fútil vida, 
vivendo enganas e morrendo ensinas! 

  Soror Juana Inés de La Cruz 
(trad. J.G. de Araujo Jorge)

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Um comentário:

"Há demonstrações de carinho que nos imensam!"
Manoel de Barros

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