22.9.12


 
  O tempo passado

Houve um tempo em que a mão erguia uma lanterna e a noite se afastava um pouco, devagar. Não se anulava. A noite e o dia abriam sulcos para o silêncio como um rio e ao nosso lado caminhava sempre um espaço aberto. Eu não recordo, mas dizem-me que partíamos e tornávamos à casa como o sangue parte e torna ao coração. Mar não havia, mas pisávamos violetas. A cama em que dormíamos era a do parto e a da morte, o pão era solene e a aurora familiar. Ah, dêem-nos, dêem-nos de novo aqueles corpos ignorantes e densos, e ouvidos para o silêncio e boca para acreditar.

  Maria da Saüdade Cortezão

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"Há demonstrações de carinho que nos imensam!"
Manoel de Barros

Demonstre seu carinho...