A revelação dos espelhos
Tudo em mim é desânimo, cansaço,
um imenso desejo de morrer.
Em minhas faces vejo a cada passo
o lanho de uma ruga aparecer.
A cada riso novo, a cada traço
que a consciência me dá do envelhecer,
mais a mais se reduz o livre espaço
em que um laivo de luz se possa ver.
No atropelo das horas consumidas
não percebi que em rondas desvairadas
era eu levado para a destruição.
Ao ver-me hoje nas chapas denegridas
dos espelhos, opacas, desgastadas,
sinto-me frio e em lenta corrosão.
Alfredo Cumplido de Sant'Anna
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Olá !Que linda poesia parabéns pela escolha!bjos
ResponderExcluirGostei mesmo do seu blog!
ResponderExcluirAbraços desde Argentina.
HD