11.5.11



Em toda a casa
pelas paredes ainda cheira à tua pele cutânea.

Mas desde que te foste estar aqui é oco,
cansativo, uma espera. E às vezes (como se
tivéssemos chorado) respirar custa.

Sobretudo nada apetece.
Sair para a rua? Ir então em frente a repetir
os passos, passear nas avenidas a espaçar as
horas - dispersar a espera?

Tudo cinzento. Choverá?
Aqui é que não fico. No quarto onde dormimos
o espaço sobra, e cada coisa já morreu ou está
a mais.

Em toda a casa uma violência subterrânea:
a tua ausência.

João Habitualmente

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