11.4.11


Le dé

Sempre gostei que decidissem por mim. Com B. havia uma regra de jogo: nos dias pares era ele quem tomava as decisões, nos dias ímpares era eu. Quando ele partiu para a América ofereceu-me um dado para o substituir. Um dia, por ocasião de uma “vernissage”, um homem aproximou-se de mim e apresentou-se. Usava o mesmo apelido de B. Exprimi a minha surpresa perante a coincidência que se revelava pouco comum, entre as letras do seu nome e as do nome do meu amante. A sua resposta foi galante: dois homens com nomes idênticos amavam-me. No dia seguinte, convidou-me a partilhar a sua cama. Decidi confiar a minha decisão ao dado. Por intermédio da sua prenda, B. aprovou o seu sucessor.

Sophie Calle

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