22.8.10

Matinal

O sangue recorda.
O turbilhão de nuvens negras
contra os olhos.
O remoinho de ramos e folhas
que se abeiravam da roda traseira
da bicicleta.
O peso da lama no guiador.
Os primeiros relâmpagos
que precedem o ribombar da tempestade
no cimo dos pinheiros.
O estrépito das pedras a rolar,
encosta abaixo.
A sombra violeta das sebes
inclinadas, onde fulgia uma colérica
chuva.
A lividez da campainha
quando os dedos a tocavam.
O voo em círculos da ave nocturna
no caminho esburacado.

Tudo isso porque foste embora.

Jorge Gomes Miranda

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2 comentários:

  1. Olá Hlena,

    "Matinal" é linda e dorida, mas bela, transmite a dor da separação...
    Aliás seu blog é belo - fonte de inspiração.
    Muito belo!

    Ótima semana!

    Beijos...

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  2. Olá, querida...

    sua escolha de hoje, sempre tão perfeita, nos presenteia com um belíssimo poema de amor...

    Boa semana, beijinhos, beijinhos...

    ResponderExcluir

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