"A todos os visitantes de passagem por esse meu mundo em preto e branco lhes desejo um bom entretenimento, seja através de textos com alto teor poético, através das fotos de musas que emprestam suas belezas para compor esse espaço ou das notas da canção fascinante de Edith Piaf... Que nem vejam passar o tempo e que voltem nem que seja por um momento!"
Fútil
Recolhi minha insignificância
Num dia de domingo
Guardei a sete chaves
Sete canções
Sete senhas
Não, meu caro, não espere nada de mim
Não me espere
O tempo
Não, meu caro, não poderei servir-te
Ando muito ocupada
Decorando a minha casa
Com minha insignificância
Magna Santos
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Inspirei durante tanto tempo o aroma de um chá quente, feito de sonhos. Um vapor morno, respirado como um incenso e absorvido como um elixir. Uma nuvem branca, preenchida com as partículas revigorantes necessárias para ganhar energia a cada passo de um caminhar inconstante. Um chá encorpado, que dava vontade de olhar para o céu e percorrer o mundo de nuvem em nuvem. Mas hoje a vida entornou-me uma chávena do precioso líquido. No meu interior, um mesmo mantra repete-se agora em forma de interrogação: como poderei acreditar novamente?
Ana
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A dança...
O que nos pode fazer mudar? Uma simples dança… de outros tempos, em que o devolver do toque nos faz bem, nos apresenta ao outro corpo e reconhece um estranho bem-estar. O aperto é como me lembrava, de firmezas e gentileza envergonhada, última defesa para não exagerar.
Eram poucos minutos, mas ondularam em sintonia, o que me faz pensar… na próxima vez…
Miak
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A liberdade é azul
(…) quando uma pessoa permanece traumaticamente ligada a uma relação passada, idealizando-a, elevando-a a um nível que todas as relações futuras nunca atingirão, podemos estar seguros de que essa idealização excessiva serve para ofuscar o fato de haver algo muito errado nessa relação. O único sinal fidedigno de uma relação verdadeiramente satisfatória é, após o falecimento do outro, o sobrevivente estar pronto para encontrar um novo parceiro.
Slavoj Žižek
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Nunca me interessei por homens bonitos. Isso não se deve ao fato de que eu acredite que eles sejam necessariamente vaidosos; tampouco que sejam incapazes, como com freqüência se conclui, de amar profundamente. Não. Sei que a natureza não é pródiga em sua generosidade, e, tendo provido de beleza, certamente não sentirá a necessidade de ser generosa com outras qualidades.
Josephine Hart
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um tempo...
peço ao tempo que me conduza
num tempo que desejo
dentro de mim
do meu ser para mim mesma
de paz e harmonia
de encontro
de conhecimento
de luz.
cecilia vilas boas
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o meu sorriso faz um parêntesis.
tudo o que sai da minha boca são apartes. tudo o que fica por dizer é o que realmente interessa.
a língua não sabe articular o essencial, deixa-se seduzir pelos artifícios dos lábios... que só querem sorrir, que só querem 'fazer parêntesis'.
Josephine
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Metade sou grito e voo; a outra, pouso e silêncio. A parte mais fecunda guarda a certeza de que está impregnada de antigas histórias que ninguém nunca leu. E tu existes nesta página silenciosa. No inacabado, nas reticências, nesse lado abissal e intangível que é a distância mais próxima que me sabe...
Eliane Reis
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Olhos de adeus
E tudo parecia tão diferente do que sempre fora. Nunca havia notado as sapatilhas de bailarina, penduradas no teto daquela loja que fora tantas vezes comprar cadernos bonitos. Talvez, apenas talvez, nunca vira antes o teto pois agora ela enxergava tudo com olhos de adeus.
Vanessa Souza
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Geografia
estar em
algum lugar
sempre
deixar o
corpo
posto
em algum lugar
porto
onde voltar
Eunice Arruda
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Estendi lençóis de
linho e flores
deitei meu corpo
e vi-me
pela primeira vez...
Tbonito
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Ponho-me à janela,
do lado de fora,
enquanto passo,
fechada,
do lado de dentro.
Regina
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Pouco...
Tenho levado uma vida pouca. Pouco vivida. Vivida aos poucos.
Vida nem de poucos inimigos, tampouco de muitos amigos. De amor que pouco passa de furor. De felicidade que pouco causa torpor.
Vida onde pouco sofrimento é bobagem. E bobagem é ter pouco sentimento.
Por isso pouco gosto do pouco. Por isso tendencio um pouco ao muito. Ao muito sofrer, muito querer, muito temer. Ao muito pouco ter. Pouco muito a receber.
João Célio Caneschi
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chamada livre
- olá. liguei para falar de cinema.
- em que filme deixaste hoje o coração?
- num que não fala de amor.
- e esse filme existe?
- as pessoas vêem sempre amor em tudo, por isso já não sabem distinguir as linguagens. se um filme fala do vento, logo vem a tese de que o vento aproxima os amantes. o vento é o vento, e a sua matéria é tão ou mais complexa que o amor.
- e tu, vais à procura do quê no cinema?
- de mim.
Josephine
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hoje estou líquida.
tento fechar-me em copas,
copos...
mas me derramo em quartos e camas.
inundo travesseiros e poemas...
transbordo com as canções.
ainda ontem eu era sólida,
em pensamentos e posturas,
atos e convicções.
na firmeza das idéias,
na certeza das conquistas.
existia.
anteontem fluía etérea.
sem forma ou peso.
sem rumo.
ocupava todos os espaços.
no frescor, sonhava.
hoje estou líquida...
... porque os estados do espírito mudam
com a força - ou ausência - dos ventos.
com a alternância das marés.
com os ciclos da lua.
com o tempo.
é chegada a hora de cortar os cabelos.
paula quinaud
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...
recolho-me
ao ovo
entre as cascas
do poema
sem ser clara
sem ser gema
escondo-me
Almma
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Mesmo que o fim esteja plantado
Rego algumas sementes
Olhem!
Começou a desfolhar as margaridas...
Carmen Silvia Presotto
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