"A todos os visitantes de passagem por esse meu mundo em preto e branco lhes desejo um bom entretenimento, seja através de textos com alto teor poético, através das fotos de musas que emprestam suas belezas para compor esse espaço ou das notas da canção fascinante de Edith Piaf... Que nem vejam passar o tempo e que voltem nem que seja por um momento!"
Classificado
Vendo urgente dor semi-nova, com pouco uso, leve arranhão na borda superior esquerda causado por um sorriso irresponsavelmente atirado pela janela. Aceito troca por alegria mesmo que com defeito ou melancolia regada a coca-cola. Não aceito esperança porque, mesmo sendo a última, acaba morrendo. Tratar com o proprietário.
André Gonçalves
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E, sim,
era verdade que eles
não se conheciam muito bem,
mas diante do pouco tempo
que haviam estado juntos,
ele havia descoberto
o suficiente para saber
que poderia amá-la
para sempre.
Nicholas Sparks
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Tempestade
A lembrança da tua voz
é minha companheira nos dias de tempestade
nas horas que lembro, viver é preciso
apesar de...
apesar de tanta coisa ficar perdida
entre os olhares que nunca,
n-u-n-c-a mais irão se cruzar
mas a tua voz fica, e soa,
e canta às vezes
e eu começo a chover,
a chover,
c
h
o
v
e
r
para dentro de quem um dia fui
contigo.
Cáh Morandi
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Carrego na bolsa
uma cota extra
de silêncio
para ser
usada
com quem
não sabe
ouvir
a verdade
portanto
não me chame
de
indiferente
Renata Fagundes
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Alguém
Um traço, um lenço, um terço
o jeito registrado num retrato
e a casa de repente tão deserta
silenciando as vozes.
Alguém restou e fala por sinais
à espera da resposta que não vem
e nada mais se sabe
além de cinza ao vento
que pousa aqui e ali
em todas as histórias.
Dade Amorim
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A dança
(...)
Sente-se do meu lado e compartilhe comigo longos momentos de solidão, conhecendo tanto a nossa absoluta solitude quanto o nosso inegável pertencer. Dance comigo no silêncio e no som das pequenas palavras cotidianas, sem que eu me responsabilize no fim do dia por nenhum de nós dois.
E quando o som de todas as declarações das nossas mais sinceras intenções tiver desaparecido no vento, dance comigo na pausa infinita antes da grande inalação seguinte do alento que nos sopra a todos na existência, sem encher o vazio a partir de dentro ou de fora.
Não diga “Sim!”. Pegue apenas a minha mão e dance comigo.
Oriah Mountain Dreamer
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eles se encontravam
e conversavam
ela falava sobre hortas, pomares
sementeiras e as dores e os prazeres das colheitas...
ele revelava-lhe os mistérios das estrelas
e dos mares
e a magia das viagens feitas...
ela apontava-lhe o vira-pedras e o colibri
entre as plantações de milho e café...
num anoitecer ele transportou-a
ao mundo de Neruda e Dali
sob os deliciosos acordes do Bolero de Ravel
ela tocou-lhe na mão e rogou-lhe de mansinho:
- casa comigo um pouquinho...
©Edgar João
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Há que fazer
uma ampliação
nesta casa
já não há onde
guardar
tanto silêncio
Carmen Gloria Berríos
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Um beijo no tempo
Cabelos brancos revelados por uma raiz que cresce além da tinta são um pedaço desnudado de alma. Há algo de fascinante nesse descortinar não planejado. Olho para a vida e constato surpresa, o tempo passou e foi muito. Bonito isso. A velhice chegar de surpresa, porque não se vinha pensando nela. Chega e é bem-vinda. Velhice-sabedoria, velhice-humor, velhice-saber-escolher. Quanto mais velho, mais leve. Tenho certo afeto por meus cabelos brancos.
Cris Guerra
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Assisti através da janela, ao sol nascer.
E constatei, aliviado, mas também um tanto escandalizado, que ele nasceu de forma idêntica à de todos os dias da minha vida, apesar de tudo.
Roberto Freire
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ela varreu
o cabelo das outras
de debaixo da cama
da minha memória
trocou as cores
as trancas as flores
deu lugar ao ar
e água aos cães
vivo agora
numa janela aberta
numa asa aberta
sobre casas que sonham
o milagre comum
carlos moreira
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Sinto falta
Falta de sua presença
Falta de seu cheiro, de seu jeito
Falta de seu abraço, de seu regaço
Falta de seus olhos, e de seus lábios
Falta de seus cabelos e de seu corpo
Falta de seu sorriso e de sua fala
Falta de seu sono, e de seus olhar
Falta de seu andar e o meu observar
Falta de amar e de ser amado
Sinto falta de ti e de mim.
Lúcio Alves de Barros
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Com as mãos
Com as mãos
construo
a saudade do teu corpo
onde havia
uma porta,
um jardim suspenso,
um rio,
um cavalo espantado à desfilada.
Com as mãos
descrevo o limiar,
os aromas subtis,
os largos estuários,
as crinas ardentes
fustigando-me o rosto,
a vertigem do apelo nocturno,
o susto.
Com as mãos procuro
(ainda) colher o tempo
de cada movimento
do teu corpo em seu voo.
E por fim destruo
todos os vestígios (com as mãos):
Brusca-
mente.
Eduíno de Jesus
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Descobri que tiro retrato com a memória, que um café com bolo quente num dia de sentimento chuvoso somados a um sorriso macio são pequenos momentos de glória, que meu peito guarda uma vitória silenciosa somente pelo fato de sentir uma brisa-abrigo em um abraço amigo, que trago recordações que me fazem carinho e, vez em quando as abro em meu cantinho secreto como quem abre uma caixinha de música.
E minha bailarina interior sempre dança.
Lilian Vereza
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Um anjo nu
Desprendendo-se do infinito cosmos
Pousa suave em noturnas águas
Um corpo belo e nu sem nenhuma nódoa
Quais sentimentos reverberam na alma
De quem se embriaga diante do anjo,
Que fim terá seu insano e mortal desejo,
E, pelo que sua alma tanto implora?
Fernando Maioni
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Fazer sentido
Amanheci plantando silêncios na dobradura das horas. Entardeci o dia. Chovi a tarde inteira, encharquei memórias, diluí saudades, afoguei esperanças e desaguei na boca da noite. Fiquei à deriva buscando porto, abrigo, calmaria. Tentei passar, mas o dia me abraçou com força e eu fiquei repercutindo vazios, compondo soluços e suspiros na parte turva da alma. Desarmônico, destoei o ritmo dos ventos, arranhei a partitura das águas, fiz barulho. Desaprendi uma porção de futuros, mas fiquei humano, simples, pequeno.
Agora, qualquer delicadeza fala.
Agora, no vão de qualquer impossibilidade, eu sou palavra.
Enfim, estou fazendo sentido.
Wendel Valadares
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Hoje acordei com a dor das árvores;
estou de pé e o meu tronco sustém
o vazio e a solidão dos ramos
côncavos de espera,
impacientes de ternura.
(...)
Lília Tavares
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