Talvez não seja
talvez não seja sempre assim; e digo eu
que se os teus lábios tão amados tocarem
os de outro, e os teus dedos firmes agarrarem
o seu coração, como não há muito tempo o meu;
se num outro rosto repousar o teu cabelo querido
naquele silêncio que conheço, ou no dizer
de palavras trémulas que por demasiado falarem
ficam indefesas perante o espírito constrangido;
se tiver que ser, eu digo se assim for
tu que és do meu coração, manda-me avisar;
para que eu possa ir até ele, pegar-lhe na mão,
e dizer, recebe de mim a felicidade do amor.
depois hei-de voltar o rosto, e ouvir um pássaro cantar terrivelmente longe em terras de solidão.
E. E. Cummings
(trad. Maria da Graça Braga)
(photo Pierre Barouh & Anouk Aimée)
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Que bonito. Ainda acredito nesse estar de alma, do olhar aberto e sereno para o amor.
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