A despedideira
Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança.
Enquanto espero que ele volte, de novo, a este pátio.
Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos poucos.
Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem.
Sabem o que descobri? Que minha alma é feita de água.
Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e ainda morro vazia, sem gota.
Mia Couto
(photo Marilyn Monroe)
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