17.12.17


A cada palavra que te digo, surpreendo-me. 
E sinto por mim o desprezo que deveria ser teu. Odeio-me. Mas não consigo parar de falar, forço-me a continuar. Porque sei: quando parar, restará apenas o silêncio. Nada mais nos unirá. Na verdade, estas palavras são tudo o que temos, o que ainda nos une, a nossa única possibilidade. Nada mais existe, nada mais somos. 
Apenas palavras. 

  Paulo Kellerman
(photo Georg Wilhelm Pabst & Louise Brooks)

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