26.6.17


O pior é acordar de manhã a pensar que nada pode ser igual agora e há que levantar e tomar banho e arranjar o café como sempre e ir trabalhar como sempre como se nada tivesse acontecido apesar de que aconteceu acabou chegou ao fim ‘é melhor assim’ e caminhas rua fora como um sonâmbulo a chocar com os transeuntes com os ardinas e sentas-te num banco de pedra sem saber se estás vivo ou morto é a mesma coisa porque a morte também pode ser uma mesa num bar dois martinis secos e um par de lábios vermelhos pronunciando palavras que caem como guilhotinas 

  Óscar Hahn 
(trad. A.M.)
 (photo Eiji Okada & Emmanuelle Riva)

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