8.3.17


Da terra de mim 

 Não sei que andei a fazer esta noite; provavelmente andei a caçar criaturas pequenas que saíram dos livros da minha infância e que ainda me povoam os caracóis dos cabelos; terei andado a unir as partículas de pó do escritório desarrumado… Sei que acordei, hoje, com uma necessidade espetacular de solo, de me ser fecunda. Se me metesse hoje numa terra lavrada, brotar-me-ia vida da pele dos membros e da pele de tudo. Amanheceria, amanhã, vertida numa árvore pequena, vestida de menina.

  Laura Avelar Ferreira 
(photo Evelyn Nesbit) 

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