Da terra de mim
Não sei que andei a fazer esta noite; provavelmente andei a caçar criaturas pequenas que saíram dos livros da minha infância e que ainda me povoam os caracóis dos cabelos; terei andado a unir as partículas de pó do escritório desarrumado…
Sei que acordei, hoje, com uma necessidade espetacular de solo, de me ser fecunda.
Se me metesse hoje numa terra lavrada, brotar-me-ia vida da pele dos membros e da pele de tudo.
Amanheceria, amanhã, vertida numa árvore pequena, vestida de menina.
Laura Avelar Ferreira
(photo Evelyn Nesbit)
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