Quase um poema de amor
Hoje, também os carros dançam. As casas movem-se levemente. E eu – que mudei de casa e de roupa, de cidade e de cama, de palavras…
Eu, que mudei de música e de carro, de saudade, de quarto… Eu – que mudei de computador e de rua, de eternidade e de paisagem, de abraço e de clima… Eu – que mudei de língua e de lágrimas, de deus e de caderno, de crenças e de céu…
Eu – que mudei de lume, que mudei de medos… Eu – que mudei de planos, de lençóis, de secretária… Eu – que mudei de óculos e de rumo, de amigos, de champô, de rituais e de supermercado… Eu – que mudei de tudo que em quase nada mudou, mudei de dentro de mim para dentro de ti, meu amor.
Filipa Leal
(photo Renée Perle)
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