31.12.16


Ano Novo

noite de ano novo, roupa elegante, penteados sensacionais, luxo. ano novo, o mesmo corpo, a velha alma lamacenta. ao largo o fogo de artifício, a esgrima dos copos altos, festa. como um dos eremitas medievais recolhes ao quarto sem uma palavra. é cedo, irremediavelmente tarde já. regressas talvez à infância, aos lugares ermos e silenciosos. uma fonte deita sem parar, no chão, a esmo, o barro quase verde das bilhas quebradas. sobre os cacos água corrente, água boa, água limpa, e tu respiras, tu renasces – muito longe tu caminhas para mais longe ainda. 

  João Ricardo Lopes
(photo Mirna Loy)

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