9.12.16


a banalidade e o despropósito

todo dia acordo do mesmo lado,
desço a mesma escada, e o som dos meus passos repetitivos me diz:
  onde...? onde...? onde...?
todo dia atravesso a mesma praça,
na partida e na chegada, e o canto dos pássaros nas árvores me diz:
  quando...? quando...? quando...?
todo dia eu pego o mesmo ônibus, que me leva e me traz, e o murmuro das pessoas nos bancos me diz:
   como...? como...? como...?
toda noite, eu durmo e sonho com as múltiplas possibilidades
 para os muitos onde, quando, como...
quando acordo pela manhã, os sonhos se recolhem ao esquecimento,
 para que a vida possa recomeçar de novo, sem onde, quando e como.

Margoh Werneck
(photo Gloria Swanson) 

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