12.1.16


Uma Maria 

Sinto-me apanhada
Pela fantasia da vida.
Germina dentro de mim
A possibilidade de caminhar
Com os pés desnudados,
Deixar o cabelo ao vento
Desprovido de laços ou enfeites
E o peito arregaçado
Até à ternura.
Levanto a saia
Até à cintura,
Entrego-me a esta areia
Branca
Molhada
E rebolo o corpo,
A alma
Até à borda do mar.

Quem se importa comigo?
O homem de cigarro no canto da boca
de olhar esvaziado?
O velho agarrado ao seu bastão
Que caminha junto ao paredão?
Talvez a Maria
Que se aproxima
E vê outra mulher
Que jaz na areia molhada
À espera que o Mar a venha buscar.

 Maria José Areal 
(photo Marilyn Monroe)

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