20.12.15


A água

Despe, na solidão da tarde, 
Tua roupagem manchada de quotidiano, 
E deixa que a chuva molhe teus cabelos 
E vista teu corpo de escamas de prata. 
Pousa, em teus ombros, o manto dos lagos 
E colhe no cântaro de tuas mãos 
A música dos dias que adormeceram 
No fundo de teu ser. 
Mármores líquidos moldarão teu corpo. 
Nuvem, 
Penetrarás a carne da manhã. 

  Paulo Bomfim
(photo Clara Bow)

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