11.5.15


Teatro de sombras

Alguém joga xadrez com minha vida,
alguém me borda do avesso,
alguém maneja os cordéis.
Alguém me inventa e desinventa
como quer:
talvez seja esta minha condição.

Alguém dirige o teatro de sombras
no qual fui ré sentenciada.
Finjo entender de tudo:
ando de um lado para o outro,
faço gestos com as mãos,
cuspo as sementes do fruto
entalado na garganta
com um grito: alguém aí pode me ouvir?

Ninguém reage, ninguém tenta aplaudir:
nesse reino todos usam disfarces,
menos a solidão.

 Lya Luft 
(foto Jean Patchett )

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