8.4.15


O horizonte claro

Um dia reencontraremos as nossas pombas
e o amor e a beleza serão colhidos à mão.

O dia em que o mínimo canto será um beijo
e cada pessoa um irmão para a outra.

O dia em que ninguém feche a sua porta,
o cadeado se converta em relíquia
e o coração seja suficiente para viver.

O dia em que o sentido de cada palavra seja desejar,
para que não procures a última palavra.

O dia em que a melodia de cada letra seja vida
para que eu não persiga a rima do meu último poema.

O dia em que cada lábio seja canção
para que o mínimo canto seja um beijo.

O dia em que chegues e fiques para sempre
e o amor se identifique com a beleza.

O dia em que voltaremos a atirar miolo de pão às nossas pombas.

Espero esse dia, mesmo que cá não esteja.

 Ahmad Shamlú
(trad. Luis Felipe Parrado) 
(foto Audrey Hepburn)

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