Ruído das águas
Não sei de mim nem uma gota
Sou oceano de águas abissais
Superfície pouca
O que tremula em minhas águas visíveis
É reflexo mal projetado do que sou
Há segredos ancorados em meu interior
Sombreando o que entendo ser
O que realmente sou
Entre uma onda e outra
Caminho no ritmo dos meus pensamentos
Busco no mar um alento
Meus pés conhecem a lápide das pedras rochosas
Deixam na areia úmida, uma marca porosa
Há uma âncora que me prende com gancho afiado
Todavia, meu caminhar sabe ser leve e solto
A brisa da reflexão passeia a meu lado
Úrsula Avner
(foto Brigitte Bardot)
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