Tratam-me como se fosse uma daquelas bonecas baratas, que se recebem de duas em duas semanas quando a nossa tia favorita nos vem visitar. Aquelas em que pegamos, achamos graça e brincamos com elas, até nos fartarmos e querermos outra. Aquelas que, depois de perderem a graça, não passam de mais uma na nossa enorme colecção de figuras imóveis. Não percebem o sofrimento dos que são condenados a ser bonecas sem o quererem. Porque mesmo eu, boneca que sou agora, tenho sentimentos [ou pelo menos o que resta deles]
E bonecas também choram, nem que sejam lágrimas de plástico...
Inês
(foto Alice White)
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