"A todos os visitantes de passagem por esse meu mundo em preto e branco lhes desejo um bom entretenimento, seja através de textos com alto teor poético, através das fotos de musas que emprestam suas belezas para compor esse espaço ou das notas da canção fascinante de Edith Piaf... Que nem vejam passar o tempo e que voltem nem que seja por um momento!"


31.1.14


Classificado

Vendo urgente dor semi-nova, com pouco uso, leve arranhão na borda superior esquerda causado por um sorriso irresponsavelmente atirado pela janela. Aceito troca por alegria mesmo que com defeito ou melancolia regada a coca-cola. Não aceito esperança porque, mesmo sendo a última, acaba morrendo. Tratar com o proprietário. 

  André Gonçalves

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

30.1.14


E, sim, 
era verdade que eles
 não se conheciam muito bem, 
mas diante do pouco tempo 
 que haviam estado juntos, 
ele havia descoberto 
 o suficiente para saber 
que poderia amá-la 
para sempre. 

  Nicholas Sparks 

 ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

28.1.14


Tempestade 

A lembrança da tua voz
é minha companheira nos dias de tempestade
nas horas que lembro, viver é preciso
apesar de...
apesar de tanta coisa ficar perdida
entre os olhares que nunca,
n-u-n-c-a mais irão se cruzar
mas a tua voz fica, e soa,
e canta às vezes
e eu começo a chover,
a chover,
c
h
o
v
e
r
para dentro de quem um dia fui
contigo.

 Cáh Morandi  

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

27.1.14


Carrego na bolsa
uma cota extra
de silêncio
para ser
usada
com quem
não sabe
ouvir
a verdade
portanto
não me chame
de
indiferente

Renata Fagundes 

 ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

25.1.14


Alguém

Um traço, um lenço, um terço 
o jeito registrado num retrato 
e a casa de repente tão deserta 
silenciando as vozes. 

 Alguém restou e fala por sinais 
à espera da resposta que não vem 
e nada mais se sabe 
além de cinza ao vento 
que pousa aqui e ali 
em todas as histórias. 

  Dade Amorim 

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

24.1.14


A dança

(...) 

 Sente-se do meu lado e compartilhe comigo longos momentos de solidão, conhecendo tanto a nossa absoluta solitude quanto o nosso inegável pertencer. Dance comigo no silêncio e no som das pequenas palavras cotidianas, sem que eu me responsabilize no fim do dia por nenhum de nós dois. 

 E quando o som de todas as declarações das nossas mais sinceras intenções tiver desaparecido no vento, dance comigo na pausa infinita antes da grande inalação seguinte do alento que nos sopra a todos na existência, sem encher o vazio a partir de dentro ou de fora. 

 Não diga “Sim!”. Pegue apenas a minha mão e dance comigo. 

  Oriah Mountain Dreamer

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

23.1.14


eles se encontravam 
e conversavam 
ela falava sobre hortas, pomares 
sementeiras e as dores e os prazeres das colheitas... 
ele revelava-lhe os mistérios das estrelas 
e dos mares e a magia das viagens feitas... 
ela apontava-lhe o vira-pedras e o colibri 
entre as plantações de milho e café... 
num anoitecer ele transportou-a 
ao mundo de Neruda e Dali 
sob os deliciosos acordes do Bolero de Ravel 
ela tocou-lhe na mão e rogou-lhe de mansinho:
 - casa comigo um pouquinho... 

  ©Edgar João

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

22.1.14


Há que fazer
 uma ampliação 
nesta casa 

 já não há onde
 guardar
 tanto silêncio 

  Carmen Gloria Berríos

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

21.1.14


Um beijo no tempo 

 Cabelos brancos revelados por uma raiz que cresce além da tinta são um pedaço desnudado de alma. Há algo de fascinante nesse descortinar não planejado. Olho para a vida e constato surpresa, o tempo passou e foi muito. Bonito isso. A velhice chegar de surpresa, porque não se vinha pensando nela. Chega e é bem-vinda. Velhice-sabedoria, velhice-humor, velhice-saber-escolher. Quanto mais velho, mais leve. Tenho certo afeto por meus cabelos brancos. 

  Cris Guerra 

 ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

19.1.14


Assisti através da janela, ao sol nascer. E constatei, aliviado, mas também um tanto escandalizado, que ele nasceu de forma idêntica à de todos os dias da minha vida, apesar de tudo. 

  Roberto Freire

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

18.1.14


ela varreu 
o cabelo das outras 
de debaixo da cama 
da minha memória

 trocou as cores
 as trancas as flores 
deu lugar ao ar 
e água aos cães 

 vivo agora 
numa janela aberta
 numa asa aberta 
sobre casas que sonham 
o milagre comum 

  carlos moreira 

 ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

17.1.14


Sinto falta 

 Falta de sua presença 
Falta de seu cheiro, de seu jeito 
Falta de seu abraço, de seu regaço 
Falta de seus olhos, e de seus lábios 
Falta de seus cabelos e de seu corpo 
Falta de seu sorriso e de sua fala 
Falta de seu sono, e de seus olhar 
Falta de seu andar e o meu observar 
Falta de amar e de ser amado 
Sinto falta de ti e de mim. 

  Lúcio Alves de Barros

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

10.1.14


Com as mãos

Com as mãos
construo
a saudade do teu corpo
onde havia
uma porta,
um jardim suspenso,
um rio,
um cavalo espantado à desfilada.

Com as mãos
descrevo o limiar,
os aromas subtis,
os largos estuários,
as crinas ardentes
fustigando-me o rosto,
a vertigem do apelo nocturno,
o susto.

Com as mãos procuro
(ainda) colher o tempo
de cada movimento
do teu corpo em seu voo.

E por fim destruo
todos os vestígios (com as mãos):
Brusca-
mente.

Eduíno de Jesus

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...