12.5.14


Azul 

Estranho como os dias estão se tornando azuis.

Procuro pelo cheiro de chuva na brisa que passa e morro de rir deste meu coração viciado, procurando por nuvens escuras na leve claridade de que é tecida a minha alma.

Nada na vida mudou. A realidade é impiedosamente a mesma, mas a música que me corre nas veias cria irrealidades que me sustentam. Vivo diariamente em muitos países, em planetas diversos, experimento amores distantes e impossíveis. Vivencio a mim em todos os tons e nuances. Tudo o que era em meu redor ainda é. Tudo o que eu sou em mim, retornou. Mas o que vejo agora está em meu olhar. O que sinto é meu. O que temo, o que sonho, o que amo. Nada mais de mim, em ombros alheios

Ainda passam por aqui as tristezas, as dores, a escuridão de sempre. Passam e se vão. 

Enquanto os dias vão se tornando estranhamente azuis.

 Claudia Regina Barros

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2 comentários:

  1. Sim...Sei e como sei

    esses azuis dos dias iguais
    e tão estranhos e dessa melodia
    muda a correr nas veias.

    Como sei...

    Bisous Querida Helena

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