27.4.14


 Os pratos que me deu minha mãe
estão já sem brilho e fora de moda.
Quando os limpamos
olham para nós como doentes em agonia,
sem entender o que queremos nós deles.

Mas são os pratos que me deu a minha mãe,
que nunca mais me dará coisa nenhuma.

Se um dia nos decidirmos a tirá-los,
decerto ouvirei a sua voz na minha cabeça:
"As coisas, filha, são apenas coisas".

Minha mãe não está num prato.
Minha mãe está no pão que eu como.

 Ana Pérez Cañamares

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2 comentários:

  1. Helena...Veio-me cá uma lágrima
    ouvindo minha mãe também.

    bisous amiga estimada,boa tarde

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  2. Uma bela pancada na memória afetiva já quase esquecida.

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