21.4.14


A última flor do outono 

Sou a última flor do outono.
Embalaram-me no berço do verão,
puseram-me de sentinela ao vento do norte,
chamas vermelhas floresceram
na minha face branca.
Sou a última flor do outono.
Sou a mais jovem semente da primavera morta,
é tão fácil ser a última a morrer:
vi o mar tão fabuloso e azul,
ouvi palpitar o coração do verão morto,
o meu cálice contém apenas a semente da morte.
Sou a última flor do outono.
Vi as profundas galáxias do outono,
contemplei a luz de cálidas casas longínquas,
é tão fácil percorrer o mesmo caminho,
vou fechar as portas da morte.
Sou a última flor do outono.

  Edith Södergran
(trad. Amadeu Baptista) 

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