17.11.13


Descobri que tiro retrato com a memória, que um café com bolo quente num dia de sentimento chuvoso somados a um sorriso macio são pequenos momentos de glória, que meu peito guarda uma vitória silenciosa somente pelo fato de sentir uma brisa-abrigo em um abraço amigo, que trago recordações que me fazem carinho e, vez em quando as abro em meu cantinho secreto como quem abre uma caixinha de música. 
E minha bailarina interior sempre dança.

  Lilian Vereza 

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4.11.13


Um anjo nu 

 Desprendendo-se do infinito cosmos 
Pousa suave em noturnas águas
 Um corpo belo e nu sem nenhuma nódoa 
Quais sentimentos reverberam na alma 
De quem se embriaga diante do anjo, 
 Que fim terá seu insano e mortal desejo, 
E, pelo que sua alma tanto implora? 

  Fernando Maioni 

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2.11.13



Fazer sentido

Amanheci plantando silêncios na dobradura das horas. Entardeci o dia. Chovi a tarde inteira, encharquei memórias, diluí saudades, afoguei esperanças e desaguei na boca da noite. Fiquei à deriva buscando porto, abrigo, calmaria. Tentei passar, mas o dia me abraçou com força e eu fiquei repercutindo vazios, compondo soluços e suspiros na parte turva da alma. Desarmônico, destoei o ritmo dos ventos, arranhei a partitura das águas, fiz barulho. Desaprendi uma porção de futuros, mas fiquei humano, simples, pequeno.

 Agora, qualquer delicadeza fala. Agora, no vão de qualquer impossibilidade, eu sou palavra. Enfim, estou fazendo sentido.

  Wendel Valadares

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