12.5.13


Relíquia 

Era de minha mãe: é um pobre xale,
que tem p'ra mim uma carícia de asa.
Vou-lhe pedir ainda que me fale
da que ele agasalhou em nossa casa.

Na sua trama, já puída e lassa,
deixo os meus dedos p'ra senti-la ainda;
e Ela vem, é Ela que me abraça,
fala de coisas que a saudade alinda.

É a minha mãe mais perto, mais pertinho,
que eu sinto quando toco o velho xale,
que guarda não sei quê do seu carinho.

E quando a vida mais me dói, no escuro,
sinto ao tocá-la como alguém que embale
e beije a minha sede de amor puro.

António Patrício

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Um comentário:

  1. Belo poema ás mães que já se foram e no deixaram saudades.
    Não sei se és mãe , mas se for Feliz dia das mães.Beijo com carinho

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"Há demonstrações de carinho que nos imensam!"
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