12.4.13


Problemas de geografia pessoal 

Nunca sei despedir-me de ti,
fico sempre com o frio 
de alguma palavra que não disse, 
com um mal-entendido a recear, 
o vazio de torpe inexistência 
que às vezes, gota a gota, 
se converte em desespero. 
Nunca sei despedir-me de ti, 
porque não sou 
o que em viagem passa pela gente, 
o que vai de aeroporto em aeroporto, 
o que olha os automóveis 
em direcção contrária, 
indo para a cidade onde acabas de chegar. 
Nunca sei despedir-me, 
porque sou um cego 
que tacteia pelo túnel das tuas mãos 
e lábios quando dizem adeus, 
um cego que tropeça nos mal-entendidos 
e com essas palavras que não se sabe articular. 
Desterrado do amor, 
nunca posso afastar-me de tudo quanto és. 
Num vazio de torpe inexistência 
vou-me de mim a caminho do nada.

 Luis García Montero

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Um comentário:

  1. Escritores são anjos com penas encantadas nas mãos, que transformam letras, palavras e frases em pura magia.

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