31.3.13


Rota de colisão

De quem é esta pele
que cobre a minha mão
como uma luva?
Que vento é este
que sopra sem soprar
encrespando a sensível superfície?
Por fora a alheia casca
e a distância entre as duas
que me atropela.
Pensei entrar na velhice
por inteiro
como um barco
ou um cavalo.
Mas me surpreendo
jovem velha e madura
ao mesmo tempo.
E ainda aprendo a viver
enquanto avanço
na rota em cujo fim
a vida
colide com a morte.

Marina Colasanti 

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Um comentário:

  1. Olá Helena, belo texto.

    E quando colidimos primeiro vem o susto depois a nostalgia, essas palavras doces e as misturaS da própri a vida em sua essência.

    beijos.

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