13.1.13


 
  Ai, Helena! 

Ai, Helena!, de amante e de esposo 
Já o nome te faz suspirar, 
Já tua alma singela pressente 
Esse fogo de amor delicioso 
Que primeiro nos faz palpitar! ... 
Oh!, não vás, donzelinha inocente, 
Não te vás a esse engano entregar: 
E amor que te ilude e te mente, 
É amor que te há-de matar! 
Quando o Sol nestes montes desertos 
Deixa a luz derradeira apagar, 
Com as trevas da noite que espanta 
Vêm os anjos do Inferno encobertos 
A sua vítima incauta afagar. 
Doce é a voz que adormece e quebranta, 
Mas a mão do traidor... faz gelar. 
Treme, foge do amor que te encanta, 
É amor que te há-de matar.

Almeida Garrett 

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