13.10.12


 
Conta-me...

Conta-me 
Conta-me o que se calou ainda. 
Conta-me a memória, os sorrisos, 
a doçura. Põe a música certa a tocar e conta-me. 
Conta-me o sentido, o racionalizado. 
Conta-me das histórias, 
dos equilibrismos. 
Faz-me um desenho, uma pintura. 
Diz-me como estava o céu, 
como brilhavam as estrelas, 
como já se ia embora Vénus 
e a aurora raiava o negro 
de rosas e amarelos. 
Diz-me como foi o dia, 
aquece-me desse mesmo sol. 
Conta-me das metamorfoses, 
 dos crescimentos, dos pés já doridos, 
 dos sonhos acordados. 
 Conta-me. 
Não esqueças nem um pormenor, 
um pensamento, um fio. 
Conta-me. Preenche cada espaço, 
 soletra cada letra. 
Não te enganes nos ondes, 
nos quandos, nos porquês. 
Conta-me. 
Recorda, agora, memória. 
Conta-me tudo o que já começo a esquecer 

  Hipatia 

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