17.12.11



Fragmentos da Casa Vazia

Sinto muito, mas já não sinto nada.

Aguardo apenas o fim das novenas para abandonar o meu exílio que não me exijo perpetuar. Deixarei este nevoeiro cumprir os seus dias para que os meus passos possam cumprir o seu. Há muito que o aguardo, em silêncio, que esse caminho fique livre da geada, esse silêncio que já não conta, já não faz parte dos murmúrios que o teu chão traz.

Deixarei, deixarei cada objecto onde o encontrei, quando cheguei ao teu pouco passo adentro, deixarei o que não soube deixar intacto, ainda que conte devagar os dias que faltam para esse céu se enfeitar da chuva que me abençoará, não tenciono abandonar o meu silêncio neste nevoeiro que tinge estranhamente esta forma estranha de me abandonar.

Sinto muito,

Mas o pouco que resta de mim o pouco me prende a ti, e mesmo desse pouco já quase não resta nada. Entrei no jogo que apenas sei perder, entrei nessa bússola desorientada sem querer e já quase não resta nada.

Se perguntarem por mim, diz que fugi, que morri, que parti para outro lugar, outro corpo, outra terra inteira dentro de mim, e para e por mim, porque só assim sei que continuarei a viver…

Leonardo B.

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2 comentários:

  1. Façamos de nossa vida uma extensão da noite de Natal,
    renascendo continuamente em amor e fraternidade.
    Natal, noite de alegria, Canções, festejos, bonança.
    Que seu coração floresça Em amor e esperança!

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  2. Tão grato e sem palavras, fico...

    Endereço esse
    Imenso Abraço, Amiga Helena

    LB

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