8.9.11



Soneto do Apocalipse

O teu silêncio corta o dia claro
em postas de penumbra acinzentada.
Por mais que açoite o vento as folhas vastas,
eu nada escuto, só escuto ausências.
O teu silêncio arsênico assassina
horas de lesmas que se arrastam torpes,
e o dia é todo noite, e são fantasmas
os que andam rente a mim, sem que eu os sinta.

Silêncio pétreo... Meus ouvidos moucos
recusam-se a escutar, pois nada existe,
só horas que retalham pouco a pouco.

Uma surdez nevada se esparrama
dos fiapos deste dia que estraçalhas
com o peso do silêncio apocalíptico.

Gláucia Lemos

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