18.1.11


Travessia

Amo-te — ela murmurou-lhe ao ouvido.
Ele acreditou.
E foram representar a palavra
para um banco de jardim,
o rio morrendo-lhes nos olhos,
quase no mar.
Ela deu-lhe a boca.
Ele acreditou na travessia,
no castelo do outro lado.
Inventou um barco.
Um remo para ele, outro para ela.
Mas não atravessaram o sonho.
Vogaram em círculo, sempre o mesmo círculo.

Ela não remou.

Vitorino Ventura

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2 comentários:

  1. A lágrima com o brilho do cristal,
    banha o teu rosto, a tua história;
    a maior força do bem sobre o mal,
    traça as honras da tua vitória...

    Oswaldo Genofre

    Amor & Paz no seu dia...M@ria

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  2. BONITO, MUY BONITO TEXTO.
    UN ABRAZO

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"Há demonstrações de carinho que nos imensam!"
Manoel de Barros

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