11.11.10

Antípoda

Poupem-me a transparência das coisas,
Roupa lavada, sol, danças de roda.
Prefiro reflexos, recordações,
Disfarces mortiços de camaleão.

Não estou. Nenhuma veia em mim murmura.
Vivo nas sombras, nome não conheço.
Deixem-se ressequir na invernia,
Longe das fortes bátegas do verão.

Os temporais de luz, não os suporto.
Não me olhem. Evitem-me essa dor.
Ó câmara. Imagem do bem-estar.
Quero-me antípoda desta exposição.

Gerrit Komrij
(trad. de Fernando Venâncio)

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

5 comentários:

  1. Helena!

    uma maravilha o seu blog, com certeza estarei sempre por aqui !

    um beijo !

    ResponderExcluir
  2. Yo también prefiero reflexionar, en los pensamientos germina la poesía.
    Un beijo Helena.

    ResponderExcluir
  3. OLA QUERIDA
    UM OTIMO FIM DE SEMANA PARA TI TB
    ADOREI O POEMA
    BEIJOS

    ResponderExcluir
  4. Venho trazer um pouco de poesia e desejar que seu fim de semana seja de mil cores, que tenhas muitas alegrias!


    Com Novembro a chiar nestas cigarras
    as acácias sangrando suas flores
    e um sol afirmativo num céu alto

    Espero a tua carta e a minha vida

    Uma pausa do tempo em minhas mãos
    preenchida
    pela contagem das horas
    nas cigarras e pétalas caídas.

    Mário António
    (poeta angolano)

    Bjs

    ResponderExcluir
  5. Amiga que post lindoooo!!!!seu blog como sempre está divinooo!!!!desejo á vc.um fds.cheio de amor!!!!beijos queridaaa!!!

    ResponderExcluir

"Há demonstrações de carinho que nos imensam!"
Manoel de Barros

Demonstre seu carinho...