20.9.10

O silêncio

Peço apenas o teu silêncio,
como uma criança pede uma flor
ou um velho pedinte um bocado de pão.

Um silêncio onde a tua alma se embrulha,
friorenta, trémula, à aproximação das invernias.
Um silêncio com ressonâncias de antigas primaveras
de outonos descoloridos e de chuva a cair no negrume da noite.

- Vá, motorista de taxi,
transporte-me
através das ruas da cidade inextricável,
vertiginosamente,
buzinando, buzinando,
abafando o ruído de um outro silêncio!

Saul Dias

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