25.8.10

Passam os dias

Ondas de espesso óleo são meus dias:
passam tão lentamente que não passam.
Os homens a meu lado olham, passam,
lentos também como os meus lentos dias.

O futuro está aí, cheio de dias,
mas é um duro charco; por ali passam
lentas sombras de sonhos quando passam...
Nocturnos céus cobrem-me os dias.

Aprendi, ensinaram-me os que passam
que sempre passam, passarão os dias,
ainda que pareça às vezes que não passam.

Soube, além disso, que a bordo dos meus dias
também eu passarei com os que passam,
cinza na cinza dos dias.

Nicolás Guillén
(trad. de Albano Martins)

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2 comentários:

  1. Bela e reflexiva poesia sobre o tempo.

    "Soube, além disso, que a bordo dos meus dias
    também eu passarei com os que passam,
    cinza na cinza dos dias."

    Emocionante!
    Passam os Dias
    Beijossss

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  2. [temporal e bonança, eternos aliados nessa conspiração dos dias]

    um imenso abraço, Helena

    Leonardo B.

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