3.4.10

Cançoneta

Um colarzinho de contas no pescoço,
as mãos sumindo num amplo regalo.
Os olhos passeiam em torno distraídos
e já não têm mais com que chorar.

A seda, que é quase violeta,
faz o rosto parecer mais pálido.
A franja, de cabelos tão lisinhos,
já chega até quase as sobrancelhas.

Não se parece em nada com um voo
esse jeito lento de andar
como se numa jangada pisasse
e não nas pranchas firmes do assoalho.

A boca pálida, entreaberta,
o fôlego cansado, ofegante…
contra o peito treme o ramalhete
deste encontro contigo que não houve.

Anna Akhmatova

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2 comentários:

  1. excelente balada. me fascino.
    besos

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  2. “A Páscoa vem trazendo uma mensagem de paz, esperança e amor.”
    Feliz Páscoa!

    Voando pelo teu Blog, e colhendo as mais belas poesias e também luz, amor e paz. Um espaço lindo e mágico que sempre retornarei.

    Com carinho da Fada do Mar Suave.

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"Há demonstrações de carinho que nos imensam!"
Manoel de Barros

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