7.12.09

A quem deixar o meu guarda-roupa oculto
o guarda-roupa fantasma
de todos os vestidos
que tive e que me abandonaram
os vestidos
que nunca tive e que vesti em segredo

O vestido que veio demasiado cedo
e que nunca me caiu bem
o vestido
que chegou já tarde
para ir à festa
quando eu já tinha adormecido

O vestido de criança
tão igual ao vestido
da primeira boneca
O da menina com o corpete já estreito
que apertava os seios doendo-lhe em casulo
O da adolescente que pressentia o homem
ladrão de túnicas na sesta sufocante

O vestido esquecido
da mulher que sob a sombra
do homem eclipse ocultou-se uma noite
e amanheceu como a lua cheia
surpreendida pela luz na metade do céu

O vestido de guerra rasgado
como bandeira
da mãe partida em dois
para sentir-se inteira

O vestido de luto que não levei para os meus
mortos
que ainda vivem

Os vestidos que alguém me emprestou para sonhar

Quando chegar a morte também será um vestido
que não verei porque estarei a dormir.

Josefina Plá

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3 comentários:

  1. Engraçado...roupas fazem parte da gente, de um modo tão especial, que é dificil saber a quem caberão quando não nos servirem mais...
    beijos

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  2. Bom dia, Helena ... nossa ... seu Blog tá mto lindo! ... de tirar o folego ... imagens ... poesias ... parabéns! ... beijos.

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  3. Olá, muito obrigado pela visita no "Cine Freud".

    É sempre louvável vir aqui também, teus posts sepre são uma ótima composição de imagens e palavras doces. É reflexivo, marcante.

    Beijo!

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