23.12.09

Num tapete de água
vou bordando os meus dias,
os meus deuses e as minhas doenças.

Num tapete de verdura
vou bordando os meus sofrimentos vermelhos,
as minhas manhãs azuis,
as minhas aldeias amarelas
e os meus pães de mel amarelos também.

Num tapete de terra
vou bordando a minha efemeridade.
Nele vou bordando a minha noite
e a minha fome,
a minha tristeza
e o navio de guerra dos meus desesperos,
que vai deslizando p'ra mil outras águas,
paras águas do desassossego,
para as águas da imortalidade.

Thomas Bernhard

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

3 comentários:

  1. hermoso escrito, profundid poética en colores.
    besos

    ResponderExcluir
  2. Bom Natal, minha querida...

    E que em 2010 continuemos a nos encantar com este teu lindo blog...

    Bjs.

    ResponderExcluir
  3. Olá,
    Que profundidade tem este texto de Thomas Bernhard!...
    Neste Inverno implacável que aqui vivemos, que infelizmente tem causado danos a muitas pessoas, vou beber uma taça de champanhe, por todos os meus amigos virtuais e desejo para ti um BOM NATAL, vivido com esse especial «espírito» que o Natal deve representar
    e que o ANO NOVO, possa ser mais novo que este.
    Beijinhos,
    Manuela

    ResponderExcluir

"Há demonstrações de carinho que nos imensam!"
Manoel de Barros

Demonstre seu carinho...