27.10.09

Se fosse dia Amor e o espinho rebentasse
da terra dos claros olhos da terra

e fosse espinho em silêncio no meio
das palavras e as palavras doessem

no lugar dos dedos onde a lisura da pele
estoura em rocio sob o casco dos cavalos

ah se fosse silêncio entre a carne
e o espírito e a flama cobrisse os lábios

e os nervos atrelassem ao sol as coisas
e elas ardessem na língua do mundo

eu te apertaria Amor contra uma nebulosa
e te extrairia da boca de Deus

quando Ele te soprou para a morte
em meus braços em meus braços cobertos

do musgo de mil outros braços.

Armindo Trevisan

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